cervejas artesanais


Cerveja artesanal boa é aquela que satisfaz o consumidor. Pode ser uma afirmação polêmica, mas para muitos é a pura verdade. Esse julgamento, no fundo, está sujeito a uma série de fatores, como conhecimento do tema, personalidade do consumidor e o bolso de quem paga a rodada. Ou seja, quanto mais você souber identificar as características de uma boa cerveja – aroma, textura, amargor, corpo, gaseificação, espuma etc. –, mais condições você terá de avaliar a qualidade de loiras, ruivas e morenas.


Mas nem todo mundo gosta do gênero stout, por exemplo. E aí? Aquela cerveja preta pesada, amarga, que os irlandeses adoram, não deve ser “boa” para um consumidor que curte bebidas leves e refrescantes. Agora o bolso. Digamos que você vai bancar um churrasco para 30 pessoas. Cerveja artesanal é “boa” para regar um banquete com tanto comensal?


Feitas essas considerações, podemos tratar das cervejas artesanais. São, por DNA, as que recebem mais atenção. A produção em pequena escala, a oportunidade de seguir receitas mais complexas, o acompanhamento mais pontual de toda a cadeia produtiva – tudo isso faz delas objetos de desejo de muitos amantes da gastronomia. E, claro, produtos mais caros.


O mercado de cervejas artesanais, somente em 2016, cresceu de 12% a 15%, segundo dados do Instituto de Cerveja do Brasil (ICB). O Brasil, vale lembrar, é o terceiro maior produtor do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e China. Este mercado não para de crescer. Explodiu no começo dos anos 90, quando os insumos ficaram disponíveis e mais baratos após a abertura dos mercados internacionais – movimento econômico mundial chamado de globalização. E vem crescendo com a era do empreendedorismo, abraçada com gosto pelos brasileiros.


Claro, dizer “cervejas artesanais” é falar de processo. Mas são esses processos – que podem envolver alta tecnologia, mas sempre produção não massificada –que levam os títulos artesanais a contemplar uma enorme variedade de estilos, sabores, ingredientes e, bom lembrar, de designs inovadores de rótulos e garrafas.


Variedade de aromas e sabores

aromas de cervejas artesanais


Em paralelo com a maior facilidade de fabricação e o aumento da vontade de produção, o boom de cervejas artesanais ganhou, por outro lado, consumidores mais preparados. O advento da internet abasteceu a tribo dos cervejeiros de um barril de informação “cervejística” jamais visto antes e a tornou mais exigente, sofisticada. Para esses entusiastas, cerveja deixou de ser diversão de fim de semana. Eles buscam novas experiências, como prega o espírito da época atual.


É comum chegar a um bar com uma carta generosa de cervejas artesanais e perceber que os consumidores testam um grande número de rótulos. Parece não haver, entre eles, a velha lealdade à cerveja de sempre, aquela que seu pai bebia. Isso alimenta a criatividade do segmento: mestres cervejeiros se atualizam constantemente e não param de criar novas receitas na busca de agradar o gosto de milhares de pessoas. Temos cervejas com adição de frutas, com temperos diversos (pimenta, gengibre etc.), com grãos diferenciados (café)...


Somente na 10.ª edição do Festival Brasileiro de Cerveja (FBC), 130 cervejarias nacionais levaram aproximadamente 800 cervejas, apresentando ao público receitas nunca vistas antes.



Para onde vai a produção brasileira

Assim como aconteceu com o vinho californiano – potente, frutado, alcoólico, características que o levaram à fama mundial, em detrimento da tradição francesa, de equilíbrio –, a cerveja americana artesanal, especialmente a nova-iorquina, deu as tintas da tendência que hoje vemos no mercado.


Uma parte considerável dos rótulos do mundo todo, Brasil em especial, segue o espírito cítrico, que fez da Brooklyn, por exemplo, um hit internacional (o Brasil, aliás, é o terceiro maior mercado da marca, depois dos Estados Unidos e da Suécia).



Segundo André Clemente, especialista em cerveja e responsável pela coluna Mundo da Espuma, da revista Prazeres da Mesa, o movimento mais importante entre as artesanais brasileiras é o surgimento do tipo Catharina Sour, que, como o nome diz, nasceu em Santa Catarina. “É um estilo com mais acidez e tem o uso de frutas, geralmente caju, maracujá, cupuaçu, e por aí vai”, diz Clemente. Em 2018, se tornou o primeiro gênero brasileiro a entrar para um dos mais respeitados guias mundiais de estilo de cerveja, o Beer Judge Certification Program (BJCP).



Segundo o especialista, o Brasil experimentou em anos recentes uma onda muito grande das cervejas mais amargas, as IPAs, Double IPAs, New England IPA, Imperial IPA. “Mas acredito que essa quantidade de lúpulo está cansando um pouco e as cervejarias vão apostar nas Lagers. Depois de tanta mistura nas receitas, está na hora de voltar as origens”.


Rótulos refinados

rótulo de cervejas



Cerveja boa tem que ter rótulo legal – sobre isso, ninguém discute. Não é a mesma coisa que beber aquela gelada na praia, da qual ninguém lembra o design no segundo gole. É preciso que o pacote seja completo.


Além disso, os rótulos das cervejas artesanais estão empolgando e encantando os colecionadores. O rótulo precisa comunicar a essência da bebida logo no primeiro olhar, sua alma, o espírito do produtor. Cada detalhe deve ser minimamente pensado para que possa seduzir e fidelizar o cliente, tudo para proporcionar uma experiência única aos consumidores.


Esse artigo foi só para dar um gostinho do que vem pela frente, aqui na SIA. A gente vai trazer muita novidade sobre o mercado de cervejas artesanais que tanto cresce em nosso país. O prazer é nosso! Saúde!