trabalhar em hotelaria

O Brasil sediou dois grandes eventos em 2014 e 2016, respectivamente a Copa do Mundo e a Olimpíada. Na época, foram realizados cursos e ações para capacitar pessoas para a área de hotelaria, mas a iniciativa não teve continuação. Hoje, segundo a consultora em hospitalidade Cláudia Jaccintho, faltam profissionais capacitados no mercado, tanto na área operacional quanto nos setores que exigem trabalho mais intelectual.

“Todas as áreas estão carentes. Vivemos uma crise com a mão de obra especializada. Cada vez mais sofremos com a má formação e poucos profissionais no mercado. Os hotéis hoje, precisam e devem criar políticas de retenção de seus funcionários”, diz a especialista.

Flávia Tiemi Suguimoto Ramos, professora dos cursos de hospitalidade e coordenadora da pós-graduação da Faculdade Hotec, cita três áreas que mais necessitam de trabalhadores, pois a demanda é constante:

  • Recepção;
  • Alimentos e bebidas (A&B);
  • Vendas.

“A maioria dos hotéis conta com mão de obra humana em suas recepções, apesar de ser um setor que pode se beneficiar da tecnologia online para fazer check-in e check-out, ou por meio de máquinas, como a aviação faz.  Em minha opinião, o que o profissional de hotelaria precisa é de alguém com visão do contemporâneo, com a hospitalidade na veia, vontade e paixão em servir”, enfatiza.

Essa lacuna, segundo Cláudia Jaccintho, surge por causa da falta de cursos. “São paralelos e raros. Não existem faculdades direcionadas especificamente para este mercado”, alerta.  De acordo com a consultora, fica difícil para o próprio colaborador – e não como política da empresa – buscar especialização: os salários não comportam investimentos em bons cursos. 


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A falta de familiaridade com o meio digital dos que buscam trabalho em hotelaria é outro agravante. “Se o empregador não investir, fica muito difícil para o profissional”, ressalta Cláudia.

Atualização para os mais experientes
Atualização para profissionais

“Os profissionais mais antigos da área precisam se adequar à nova realidade”, pontua Flávia Ramos. “Eles devem associar o know-how, a experiência e a hospitalidade que já dispõem com os conhecimentos das demandas atuais. Se tornariam excelentes colaboradores.”

Para isso a rede hoteleira precisaria investir na formação da sua mão de obra,  indica a professora, além de exigir os seguintes itens:

  • Conhecimento, pois falta qualificação em todos os sentidos:  desde a formação específica, até na forma de se comportar, com um mínimo de repertório intelectual;
  • Segundo idioma;
  • Etiqueta e hospitalidade;
  • Atualização frequente;
  • Conhecimento de tecnologia.

 “Dessa forma é possível ter um profissional realmente eficaz e atualizado”, explica Flávia.


Áreas mais desfalcadas
áreas em falta - hotelaria

Liderança

Nos dias de hoje, as posições de liderança são as mais difíceis de se conseguir colaboradores. “Ser líder exige um conjunto de habilidades nada fáceis de serem encontradas. Hoje, as redes hoteleiras precisam trazer esses profissionais cada vez mais próximos ao estilo do hotel, torná-los conhecedores do produto que representam.  Há um Brasil gigante e cada região tem a sua realidade”, pondera Cláudia Jaccintho

Eventos, Gestores, Concierges e Mordomos

Para a professora Flávia Ramos, há também demanda para bons profissionais da área de eventos, gestores que entendam a necessidade e as expectativas de seu público, além de concierges e mordomos, nos hotéis de luxo.


Boa formação é sempre fundamental
profissionais da hotelaria

Independentemente do setor, para se destacar entre os demais candidatos, boa formação é requisito importante. De acordo com Flávia, a hotelaria convencional ganhou a concorrência de modos de hospedagem contemporâneos, como o Airbnb e seus similares. “Acredito muito no crescimento desta modalidade de hospedagem.  Assim poderá surgir, em um futuro próximo, a necessidade de capacitação de profissionais para atuarem nesse segmento. Habilidades como domínio da tecnologia, do marketing digital e de outras línguas (mandarim e japonês, por exemplo) vão se tornar realmente fundamentais”, finaliza.

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