O guia essencial para abrir uma pousada pet friendly

pousada pet friendly

É um fenômeno mundial: cada vez mais pessoas têm animais de estimação (pets). Sabe-se, hoje, de inúmeros benefícios da companhia de um amigo – em geral – peludo: diminuição do estresse, aumento da sociabilidade, combate à depressão... De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018 foram contabilizados 139,3 milhões de pets, com maior destaque para cães, aves e gatos. O problema dos donos é o que fazer quando tiram folgas ou férias. É nessa questão que a área de hotelaria pode fornecer soluções. Há um aumento da procura por hotéis e pousadas pet friendly. Resumo: as oportunidades estão aí, é hora de empreender

O primeiro passo para quem quer abrir um estabelecimento com esse perfil, de acordo com Eduardo Faraco, diretor da Faraco Consultoria em Pousadas e Hotéis, é fazer um levantamento observando os seguintes fatores:

  • Demanda da região;
  • Oferta naquela área;
  • Custos com a implantação do empreendimento;
  • Cuidado com os espaços disponíveis (se for adaptar um local).

Começar do zero ou aproveitar uma estrutura?
Estrutura hotéis e pousadas Pet Friendly

É menos difícil começar um estabelecimento pet friendly do zero, segundo Alonso Blanco, professor e consultor de hotéis, de São Paulo. “É mais viável desenvolver um planejamento correto do fluxo, do público e dos procedimentos que serão realizados no empreendimento do que fazer adaptações”.

No entanto, se essa for a alternativa, a primeira ação é pesquisar com os hóspedes habituais se há aceitação da mudança de perfil da pousada. “Porque os animais vão cruzar com essas pessoas. Há os que têm mais resistência à aceitação. Também é preciso estudar a viabilidade, avaliando as vantagens e riscos de receber esses novos hóspedes”, alerta Faraco, referindo-se aos tutores e seus pets.

 

O que não pode faltar em na estrutura de uma hospedagem pet friendly

  • Áreas verdes,  com terra, para os cães passearem com seus donos;
  • Piso vinílico, para facilitar a limpeza;
  • Móveis adequados, pois há cães que roem a mobília;
  • Boa ventilação;
  • Cobre-leitos e cortinas mais leves, menos densos e felpudos, por conta das secreções dos mascotes;
  • Isolamento acústico;
  • Funcionários que gostem de animais.

 

Determine as ‘regras da casa’

Eduardo Faraco e Alonso Blanco elencam, abaixo, algumas normas para promover boa convivência na pousada:

  • Definir o tamanho dos pets que frequentarão  o local;
  • A pelagem é outro item que pode ser determinado pelo proprietário;
  • Hóspedes devem apresentar a carteirinha de vacinação do animal, caso ele morda ou arranhe uma criança ou colaborador do empreendimento;
  • Delimitar os locais permitidos para os mascotes. “Eles podem ter acesso às áreas externas, quadras e playgrounds, por exemplo. Mas não devem circular próximo às piscinas, cozinha e onde são servidas refeições”, exemplifica Faraco;
  • Especificar o número de quartos que poderão receber os bichinhos e seus tutores (no caso do imóvel também ter acomodações para quem não viaja com mascotes);
  • O animal deve circular com guia, sempre com seu dono.


Limpeza: trabalhe antes, durante e depois
limpeza em hotel

Dedetizar, combater cupins e ratos são fundamentais em qualquer estabelecimento antes de iniciar as atividades, de acordo com Blanco. “Para que nada afete os pets.”

É importante determinar que o animal não use a mesma cama que seu tutor, segundo Faraco. Para evitar que isso aconteça, deve-se oferecer caminhas para os bichinhos e, também, orientar camareiras e auxiliares de limpeza para uma higienização mais criteriosa dos cômodos. Além disso, o consultor lembra que é fundamental impermeabilizar colchões e protetores de travesseiros; e reforçar o processo de lavagem, com produtos potentes e que tenham maior intensidade no processo de limpeza. “O ideal é ter lavanderia própria ou contar com uma terceirizada com execute bem esse serviço”, orienta Faraco.

Após o check-out, os quartos ou apartamentos devem ser higienizados minuciosamente, para receber os próximos visitantes.

 

Garanta a segurança dos hóspedes

Telas de proteção nas janelas e nas piscinas, grades e portõezinhos nas áreas onde os animais não devem ter acesso fazem parte do arsenal para manter o bem-estar desses hóspedes. “Todo cuidado é pouco com pets e crianças”, diz Blanco. “É importante ter um aparato de segurança à disposição.”


Ofereça serviços extras
serviços extras em pousadas pet friendly

Venda de rações, biscoitos, brinquedos, guias, tapetes higiênicos, recipientes para água e ração são boas formas de gerar receitas, além das diárias. “Mais: parcerias com veterinários ou clínicas 24h dessa especialidade são imprescindíveis”, destaca Faraco. Uma nutricionista pode fazer parte do staff, mas normalmente os donos costumam levar a alimentação de seu pet. “Pequenos cardápios, elaborados por profissionais especializados em animais, agregam valor bem importante”, diz o consultor. “Muitas vezes, custam mais do que um prato para uma pessoa”.

A pousada não precisa contar, necessariamente, contar com  recreacionistas e dog walkers. “Podem ser terceirizados e contratados, caso o hóspede os solicite; porém, estão mais disponíveis em grandes capitais”, explica Faraco. “São pouco comuns em destinos como praia e montanha.” O consultor Alonso Blanco sugere a reflexão: “Em uma pousada pet friendly, o que importa é o convívio do dono com seu animal de estimação e outros hóspedes com os mesmos anseios.”


Anuncie no espaço correto

A campanha maior deve ser na cidade de origem de grande parte dos hóspedes, que em clínicas veterinárias, associações de animais ou clubes, de acordo com Alonso Blanco.

Revistas femininas, dedicadas à família e operadoras de turismo também são bons locais para chamar a atenção do público, segundo Eduardo Faraco. Pode-se acrescentar atividade de divulgação em sites de turismo, perfis em redes sociais, posts patrocinados, newsletter. O consultor ressalta, porém, que os anúncios devem dar destaque às acomodações do empreendimento, ao bom atendimento dispensado aos pets, sem mencionar valores. “Se for um preço mais atraente do que as demais pousadas da região costumam oferecer, pode provocar uma demanda muito maior”. O problema aqui é não conseguir dar conta dessa demanda e deixar de engajar o consumidor.


Tenha cadastro nos órgãos oficiais e especializados

Para que as pessoas saibam mais a respeito de seu estabelecimento, é necessário se inscrever no Cadastur – Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos do Ministério do Turismo. É gratuito. “Esse cadastro permite que as pessoas interessadas tenham mais informações sobre a pousada”, diz Faraco.


Outro local onde o empreendedor pode se cadastrar é o Turismo 4 Patas que, após as avaliações, classifica o estabelecimento como super premium, premium ou standard. Também não cobra taxa de inscrição.

 

Promova pacotes
Promova pacotes em pousadas Pet Friendly

O empreendimento não precisa ter tudo, mas deve proporcionar  acessos e facilidades, tanto para os hóspedes como para seus animais de estimação. “Não há como uma pousada ter muita estrutura. Assim, parcerias com lugares que oferecem banho, tosa e  passeios são sempre ótimas alternativas”, afirma Blanco.


Ouça quem frequenta estabelecimentos pet friendly

Por conta da rotina corrida, com trabalho e aulas na faculdade, a jornalista Monique Gonçalves e seu marido sempre optam por pousadas pet friendly. Querem se divertir nos fins de semana e feriados ao lado de seu mascote, o cocker spaniel John, de nove anos.

“Aproveitamos as oportunidades que temos para levá-lo conosco. Isso reflete em seu comportamento durante a semana. Fica mais tranquilo e feliz”, garante Monique.

O cachorro John, que foi encontrado pela jornalista na internet, após ter sido resgatado na Rodovia Presidente Dutra, em frente à fábrica da Johnson’s, já visitou vários lugares. Trindade e Cabo Frio, no Rio de Janeiro, São Francisco Xavier e Ubatuba, em São Paulo, são alguns dos locais onde esteve.

“Costumamos dizer que o John fica mais feliz com a viagem do que nós”, diverte-se Monique.

A gerente comercial, Carolina Sargentini, por sua vez, é tutora de três gatosBelinha, quatro anos; Carminha, cinco; e Sophio, seis  – e da cachorrinha Pérola, também com seis anos. Todos foram resgatados das ruas e são companheiros de viagem de sua dona.

“Já fomos todos juntos para Carrancas, em Minas Gerais. Pérola me acompanhou em Atibaia e Prumirim, em São Paulo. Isso porque os gatos sentem-se mais confortáveis em casa. Sempre viajo de carro porque de avião fica um pouco mais difícil”, diz Carolina.

Para ela, os endereços pet friendly são muito importantes.

“Locais onde meus filhos de quatro patas são aceitos sempre farão parte do meu roteiro. Não gosto de sair sem eles”.


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